sábado, 2 de novembro de 2013

O futebol das mulheres

Cresci numa época em que ver mulheres no futebol era como achar uma agulha no palheiro. Lembro-me com grande facilidade de vê-las a tricotar belos cachecóis, mesmo que estivéssemos em plena primavera, no carro, a ouvir os relatos, com toda a certeza ansiosamente à espera do seu final, para que os maridos voltassem. Lá em casa não era assim. Não, a minha mãe não ia à bola, mas a bola era ao lado de casa e sempre que o Atlético verde-rubro de Cucujães jogava em casa lá ia o meu pai, eu também.
Tottenham - Manchester

A Pancada que vos escrevo agora tem o mesmo distrito, mas estádios diferentes e tempos adiantados. Algures na viragem do milénio um jogo da distrital de Aveiro leva-me até Paços de Brandão. Pesquisa de trabalho, equipas e estádio. Nada pode falta. D. Zulmira Sá e Silva. Mulher de Joaquim Narciso, benemérito daquela freguesia de Santa Maria da Feira que deu terreno para o estádio e o clube deu ao estádio o nome da mulher. A mulher que tanto deve ter ouvido falar de futebol, olhem, sempre tinha ali um escape à saturação de ter de levar com um relato de 22 matrecos enquanto fazia cachecóis.

No mesmo concelho há outra homenagem, mais o desafio jornalístico aqui era outro. Se tentássemos dizer o nome do estádio corríamos o risco de quando chegasse ao fim ou de estávamos sem ar, ou de tínhamos perdido um golo ou uma jogada de perigo. Maria Carolina Leite Resende Garcia. Estádio do Arrifanense. Alista-se digo eu, sem certezas, mas com grande convicção, ao nome de um estádio de futebol com nome de mulher mais longo do mundo. Haja fôlego, haja bola e já agora cachecóis, porque o futebol é uma festa.

HF.

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